Luta e Levante Sindical

O trabalhador se torna tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão. O trabalhador se torna uma mercadoria tão mais barata quanto mais mercadorias cria. Com a valorização do mundo das coisas aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens.” (Karl Marx. Manuscritos (1884) sobre o Trabalho Estranhado,2004)

A sociedade brasileira é sacudida diuturnamente por escândalos de corrupção, desvios de lideranças políticas e partidos nas negociatas para projetos de poder, enquanto trabalhadores vivem sob a tensão cotidiana do fantasma do desemprego. O ciclo recessivo que vivemos deixou um rastro de desempregados e informais jamais visto na história republicana brasileira desde a década de 1930. A divulgação da elevação do número de desempregados (13,1%), aproximadamente 14 milhões é drástica, com um agravante, o Brasil continua gerando mais ocupações informais do que formais, gerando um déficit econômico e social, aprofundando as mazelas da desigualdade estrutural desta nação periférica.

No entanto, os sucessivos governos tratam de amparar suas políticas econômicas, especialmente, as políticas monetárias e fiscais, com ênfase no combate à inflação, elevando a taxa de juros, com redução do gasto público, daí uma paralisia se generaliza na cadeia de transmissão que incentiva o despertar do torpor rentista do empresariado, o “espirito animal” se transforma em cão adestrado do sistema financeiro e mainstream ortodoxo-monetarista. Tal expediente denota a queda do investimento público ao seu menor nível (1,17% do PIB) nos últimos 50 anos.  A tríade, desemprego, crescimento lento e queda no investimento, é sentença de morte para futuro da nação. As expectativas são revisadas pelos agentes econômicos quando anunciadas, reduzindo o otimismo e aumentando o pessimismo.

No esteio de políticas macroeconômicas ortodoxas que não produziram resultados positivos, apenas um controle inflacionário, a queda na renda, no emprego formal, sentencia as contas públicas aos déficits orçamentários, com ataque aos pilares da seguridade social.  As propaladas reformas estruturais – trabalhista e previdenciária, são as primeiras ações ventiladas para retomada da confiança dos agentes econômicos de mercado. Os trabalhadores sentiram o garrote na contrarreforma trabalhista que foi aprovada rápida e intempestivamente, sem qualquer reação do movimento sindical. Os trabalhadores continuam acuados e desesperançados. Porém, o torpor dos trabalhadores e movimento sindical não é definitivo, nem derradeiro. A prática defensiva com ações de “lawfare” para manutenção das bases de custeio sindical não devem e nem ficarão no aparato jurídico-político do Estado brasileiro, são apenas uma etapa de retomada de consciência de um novo sindicalismo é possível.

O torpor dos trabalhadores e do movimento sindical foi sacudido por traições de todas as matizes, sobrevive entre o velho e novo momento histórico, se reinventa diante da reestruturação produtiva e governos conservadores orientados pelo mercado, se reconstrói por força das circunstâncias objetivas. Neste momento necessitamos de um levante sindical, com potencialização da luta sindical frente as condições de superexploração do trabalho e dos trabalhadores, que sejamos sediciosos de enfrentamentos, de embates cotidianos, unidos e fortalecidos pelo momento que reafirma o papel dos trabalhadores conscientes de sua função histórica, consciente em fazer um novo tempo. Afinal, como afirmou Che Guevara “Quando o extraordinário se torna cotidiano, é a revolução. ”!!

Por: Eduardo Guerini

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *