REUNIÃO DE LULA COM LIDERANÇAS DO MOVIMENTO SINDICAL DOS TRABALHADORES

FONTE: https://www.cartacapital.com.br/politica/as-demandas-dos-sindicatos-para-o-novo-governo-lula/

A cúpula do movimento sindical brasileiro – representado pelas maiores centrais indicais e federações de trabalhadores do País – esteve reunida nesta quinta-feira 1º com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No encontro, os líderes de trabalhadores indicaram ao eleito quais seriam as prioridades do movimento e do mundo do trabalho para 2023.

Segundo uma fonte presente, a lista levada a Lula pode ser dividida em seis itens principais, mas que convergem em um único ponto: gerar empregos de melhor qualidade do que os atuais

Para isso, o movimento entende que o primeiro ponto a ser adotado é a política de valorização e recuperação do salário mínimo, abandonada pelo atual governo e que fez encolher a renda do trabalhador.

É preciso, dizem, voltar a reajustar os salários acima da inflação, com ganho real ou o brasileiro seguirá empobrecendo. A pauta, justificam, é urgente, já que um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) publicado em novembro, revelou que só em 2022, mais de 40% dos acordos fechados pelas empresas sequer recompõem a inflação. Segundo o estudo, só 22% dos acordos fechados pelos trabalhadores, de fato, contemplam um aumento.

Não por acaso, o segundo ponto levado a Lula foi justamente a valorização das negociações e da organização sindical. Segundo esta mesma fonte, a reunião reiterou o pedido do movimento para uma reorganização das formas de custeio dos sindicatos, retirada pela Reforma Trabalhista. O caminho apontado pela maioria, diz, não foi o retorno da contribuição sindical compulsória, mas sim de uma taxa negocial discutida com trabalhadores em assembleia e que tenha como ponto de partida a qualidade do acordo negociado. “Se o sindicato for bem sucedido na negociação tem fonte de sustentação”, explica.

Essa reorganização faria, segundo os presentes, com que o movimento ganhasse novo fôlego em 2023 e pudesse pleitear com mais força as demandas de cada categoria. “É uma forma de reorganizar para avançar na conquista de direitos. Só um sindicato forte poderá ir além do que diz a letra da lei. Foi isso que dissemos e Lula sabe isso melhor do que ninguém”, conta outro dos vários sindicalistas presentes no encontro.

Para complementar o ponto anterior, o movimento sindical ainda pediu a retirada da PEC 32, que trata da reforma administrativa do serviço público brasileiro. O grupo também alertou Lula sobre a necessidade de rever alguns pontos da Reforma Trabalhista, em especial os que enfraqueceram a negociação coletiva. “Neste ponto, não queremos voltar ao início da CLT, mas rever o que foi modificado apenas para prejudicar o trabalhador”, destaca este mesmo sindicalista.

Também sobre os servidores, os sindicalistas apontaram a importância de se estabelecer uma mesa própria de negociação para o tema que tenham os líderes da categoria e o governo. O entendimento é que a categoria foi desvalorizada e atacada durante a última gestão de forma ainda mais significativa e que, portanto, precisa ser analisada de forma separada.

A quinta demanda discutida foram mudanças no Sistema S. O pedido, revelam, é para que ele passe a ser bipartite – com representação de trabalhadores e empregadores – e paritário. A ideia é fazer com que os benefícios e serviços prestados com o

dinheiro arrecadado possa atingir um maior número de pessoas. O pedido também envolve a necessidade de rotatividade na presidência das entidades que integram o sistema.

Por fim, os sindicalistas ainda dizem ter tratado com Lula sobre a importância de formar um Ministério do Trabalho ‘forte e organizado’. Eles dizem, porém, que apesar de discutirem como a pasta pode ser organizada, não indicaram nomes para o posto. Conforme mostrou CartaCapital, essa é uma das principais opções de ministérios que o PDT poderá ocupar no novo governo. Carlos Lupi, presidente da legenda, deverá tratar pessoalmente do assunto com Lula nos próximos dois dias.

Como Lula recebeu os pedidos?

Segundo alguns dos presentes, Lula estava de ‘muito bom humor’ e em posição confortável com os temas debatidos. “Ele ouviu e não mostrou resistência a nenhuma pauta”, conta um dos presentes. “A maioria dos pedidos já fazia parte do plano de governo”, completou outro sindicalista.

Ainda segundo os presentes, o presidente eleito “mais ouviu do que falou”, mas, quando esteve com a palavra, focou suas declarações na necessidade de fortalecer as entidades sindicais durante o seu novo mandato.

Mobilização para o dia da posse

CartaCapital apurou ainda que não apenas Lula que ouviu demandas na reunião. Após o encontro, que durou cerca de 2 horas e meia, os sindicalistas saíram com ‘uma ‘missão’ dada por Janja, a primeira-dama.

A socióloga solicitou ao grupo um ’empenho especial’ para que os líderes sindicais mobilizem os trabalhadores de suas bases para o dia da posse de Lula. A intenção é fortalecer ainda mais a participação nos atos em Brasília, que devem contar com grandes shows.

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