CCT 2026-2027 – 2ª Rodada de Negociações com SINEPE
Na tarde do dia 05/03, a FETEESC, juntamente com seus sindicatos filiados, participou da segunda rodada de negociação referente à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026–2027 com o SINEPE.
A reunião teve como objetivo discutir as propostas referente as cláusulas sociais novas e a renovação das cláusulas sociais existentes, buscando equilibrar os interesses dos professores e auxiliares da administração escolar e das instituições de ensino.
1 – Debate Inicial: Renovação vs. Nova Convenção
Houve uma reflexão inicial por parte do SINEPE sobre a possibilidade de não renovar a convenção atual para criar uma nova “zerada”, mas essa ideia foi descartada. Prevaleceu o entendimento de que a convenção existente deve ser aprimorada, preservando conquistas e reduzindo burocracias.
2 – Respostas das cláusulas socais e Demandas do SINEPE
O SINEPE apresentou propostas focadas em reduzir ” burocracias” e melhorar a redação de cláusulas para evitar interpretações equivocadas:
- Estrutura das Salas de aulas: Discussão sobre a obrigatoriedade de móveis para
professores e auxiliares. A preocupação é que uma redação muito rígida force as
escolas a terem mobiliário duplicado mesmo quando desnecessário. (Ajustar
redação) - NR-1 (Risco Psicossocial): Proposta para que os professores notifiquem
precocemente a escola sobre problemas de saúde (principalmente psicológicos),
permitindo que a instituição atue preventivamente. (Ajustar redação) - Compensação de Horas: Proposta para flexibilizar o planejamento anual de
compensações, permitindo acordos pontuais (ex: emendar feriados) com aviso
prévio de 24h. (Proposta patronal) - Intervalo do Recreio (Ensino Fundamental II e Médio): Proposta para adequar a
convenção ao julgado do STF, que determina o pagamento apenas se o intervalo
for efetivamente trabalhado. A escola emitiria uma ordem de serviço orientando o
não trabalho, isentando-se do pagamento, a menos que haja convocação
registrada. (Proposta patronal) - Redução do Intervalo de Almoço: Proposta para permitir a redução do intervalo de
almoço mediante acordo, antecipando a saída do funcionário. (Proposta patronal)
3 – Cláusulas Sociais e Divergências
A FETEESC os Sindicatos filiados apresentaram cláusulas voltadas aos preceitos mínimos de garantia à proteção e bem-estar dos trabalhadores, em especial da mulher, gerando debates acalorados:
- Prevenção à Violência Doméstica: A FETEESC os Sindicatos filiados defenderam a
inclusão de cláusula de conscientização e apoio a mulheres vítimas de violência.
O SINEPE resistiu, argumentando que:
o A convenção não é o local adequado para temas sociais.
o Incluir esse tema abriria precedente para outras pautas (racismo, etc.).
o As escolas já cumprem essa função social por obrigação legal ou
compromisso natural.
o A discussão terminou sem consenso, mas com o tema mantido na pauta.
4 – Proteção e Condições de Trabalho dos Professores e demais trabalhadores da educação
A FETEESC os Sindicatos filiados levantaram questões sobre a segurança e dignidade em sala de aula:
- Conflitos e Assédio: Relatos de professores agredidos por alunos (inclusive com
necessidades especiais) e expostos a situações de conflito, como se estivessem
em “jaula com leão”. - Atendimento a Pais: Discussão sobre a necessidade de mediação da escola em
reuniões potencialmente conflituosas, para que o professor não fique sozinho. - Inclusão Escolar: Preocupação com a obrigação legal de incluir alunos com
deficiências severas sem a devida estrutura, gerando riscos para todos e desgaste
para o professor.
5 – Debate: Hora-Atividade e Remuneração
O ponto mais crítico foi a reivindicação docente pela hora-atividade remunerada (ex: 1 hora de preparação para 4 horas de aula). A justificativa foi:
- Qualidade de Ensino: A hora-atividade é um investimento na qualidade,
preparação e dedicação exclusiva do professor à instituição. - Redução de Problemas: Reduz atestados, faltas e melhora o desempenho em
reuniões e capacitações.
Resposta do SINEPE:
O representante patronal reconheceu o mérito da proposta e o mundo ideal, mas justificou a resistência com base na realidade do mercado:
- Queda de Matrículas: Dados do INEP apontam redução no número de alunos no
ensino fundamental. - Pressão de Custos: Aumentar a remuneração sem contrapartida de produtividade
inviabilizaria as escolas, que já operam com margens apertadas. - Competitividade: Aumentar mensalidades para cobrir o custo poderia levar à perda
de alunos para a concorrência.
O patronal defendeu que é possível ter qualidade com bons profissionais dentro da
estrutura atual, sem o custo adicional da hora-atividade, enquanto os professores
argumentaram que o investimento se pagaria pela retenção de talentos e melhoria do
produto final.
6 – Próxima reunião de negociação
Dia 17/03/2026
10h no auditório da FETEESC
14h30 no auditório do SINEPE
